A descarbonização do transporte marítimo ganhou força na agenda da transição energética e tem levado portos e estaleiros a buscarem alternativas para reduzir emissões nas operações. Uma das frentes mais relevantes é o Onshore Power Supply (OPS), solução que permite o fornecimento de energia elétrica de terra para embarcações atracadas, evitando o uso contínuo de motores a diesel a bordo e contribuindo para diminuir emissões de poluentes, ruído e impactos na qualidade do ar em áreas portuárias.
Neste cenário, o Cepel identificou o OPS como uma frente importante de atuação da área de Consultoria, reunindo competências técnicas que cobrem toda a cadeia do tema: desde estudos elétricos e planejamento de acesso ao sistema até comercialização de energia, regulação, gestão de ativos e materiais e mecatrônica.
O OPS já conta com soluções desenvolvidas pelo Cepel que podem ser aplicadas a projetos portuários. Com isso, o Centro pode atuar de forma imediata, conectando suas competências técnicas à Comercializadora e oferecendo suporte completo aos portos que buscam viabilizar, sob os pontos de vista técnico, regulatório e comercial, o fornecimento de energia elétrica às embarcações atracadas.
“O diferencial do Cepel está na capacidade de olhar para o OPS de forma sistêmica. Não se trata apenas da conexão elétrica do navio ao porto, mas de avaliar rede, infraestrutura, regulação, comercialização de energia e sustentabilidade. É nessa integração que conseguimos gerar valor para os projetos”, afirma João Paulo Poloni, gerente de Consultoria e Estratégia do Cepel.
Como funciona o Onshore Power
O sistema de OPS conecta a rede elétrica ao navio atracado por meio de cinco etapas principais:
- Fornecimento de energia pela concessionária ou por fontes renováveis
- Adequação de tensão na subestação do porto
- Conversão de frequência e sistemas de proteção do sistema OPS (shore connection)
- Conexão por cabo de alta tensão ao switchboard do Navio para atendimento das cargas.
Onde o Cepel pode atuar
- Sustentabilidade: gestão de indicadores, cálculo de redução de emissões e estratégias ESG via IGS (software de ndicadores para Gestão da Sustentabilidade Empresarial) .
- Estudos elétricos: fluxo de carga, curto-circuito, harmônicos e transitórios, apoiando a análise técnica da conexão OPS.
- Acesso ao sistema: planejamento e avaliação das condições de conexão à rede elétrica.
- Comercialização de energia: desenvolvimento de modelos de negócio, precificação e estruturação contratual.
- Regulação e conformidade: apoio ao atendimento de normas nacionais e internacionais aplicáveis ao tema.
- Gestão de ativos e confiabilidade: suporte à operação segura e eficiente da infraestrutura elétrica.
- Materiais e mecatrônica: seleção, avaliação e realização de ensaios em equipamentos, conectores e componentes associados ao OPS.
Para Ricardo Barboza, desenvolvedor de negócios do Cepel, o tema representa uma oportunidade concreta de ampliar a presença da instituição no setor portuário e marítimo. “O OPS conversa diretamente com a agenda de descarbonização que os portos e estaleiros já colocaram como prioridade. Temos competência para atuar em toda a cadeia, desde os estudos elétricos até a estruturação comercial e regulatória, o que nos coloca em uma posição privilegiada para apoiar esses projetos de ponta a ponta”, destaca Barboza.
Benefícios para portos e estaleiros
Os ganhos do OPS formam uma cadeia de vantagens para o setor. Entre os benefícios do OPS estão a redução das emissões de CO₂, NOx, SOx e material particulado, a diminuição dos custos operacionais para os armadores e a maior conformidade ambiental. Os impactos positivos se estendem para além da operação portuária: portos mais limpos contribuem para o fortalecimento da reputação institucional junto a reguladores, clientes e comunidades do entorno, enquanto os investimentos em infraestrutura elétrica estimulam a economia e o desenvolvimento local, tanto na fase de implantação quanto ao longo da operação.
Para tirar esses projetos do papel, o acesso a recursos de fomento é tão importante quanto a parte técnica. Muitas iniciativas de inovação não avançam justamente pela dificuldade de encontrar e estruturar as melhores formas de financiamento. O Cepel apoia seus parceiros nesse processo, identificando oportunidades em programas como ANEEL, ANP, Lei do Bem e Finep. Outra possibilidade é o Fundo Clima do BNDES, que contempla iniciativas de modernização das redes de energia e eletrificação de setores com altas emissões, características alinhadas aos projetos de OPS.
Com essa frente de atuação, o Cepel amplia seu papel como parceiro técnico para portos mais limpos, eficientes e sustentáveis, ampliando sua presença em um mercado estratégico para a transição energética do setor naval.