A evolução das condições operativas do Sistema Interligado Nacional (SIN) exige ferramentas capazes de representar, com cada vez mais precisão, as diferentes situações enfrentadas pelo setor elétrico. É nesse contexto que o Cepel apresenta a nova versão do DECOMP, que incorpora funcionalidades para aprimorar a representação das restrições elétricas especiais.
Desenvolvido pelo Cepel, o DECOMP é um modelo computacional utilizado no planejamento da operação do SIN. A ferramenta auxilia na definição da geração de energia pelas usinas hidrelétricas e termelétricas no curto prazo, considerando fatores como disponibilidade de água, demanda de energia, custos de operação e restrições do sistema elétrico. Seu objetivo é contribuir para uma operação segura, eficiente e com o menor custo possível.
A principal novidade da atualização está na introdução de recursos de expressões elétricas, que permitem agrupar e reutilizar relações entre diferentes grandezas do sistema, e inequações, que permitem relacionar diferentes grandezas e definir limites conforme as condições do sistema. Associados às regras de ativação já existentes, esses recursos permitem que o modelo considere automaticamente diferentes limites conforme a demanda, a geração das usinas e os intercâmbios de energia.
Uma representação mais próxima da realidade operacional
Até então, a representação das restrições elétricas utilizava principalmente cálculos e limites previamente definidos. Entretanto, na operação do SIN, determinados limites podem variar de acordo com as condições do sistema, como a demanda de energia, exigindo a utilização de diferentes relações para representar cada situação..
A atualização atende a uma demanda do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), permitindo que essas relações sejam incorporadas diretamente aos dados de entrada do DECOMP, em vez de dependerem exclusivamente de valores fixos ou premissas estabelecidas externamente.
Na prática, isso significa que o modelo pode identificar quais limites devem ser considerados em cada situação. Em períodos de maior ou menor demanda, por exemplo, a quantidade de energia que pode ser transferida entre determinadas regiões pode variar. O mesmo ocorre quando há alterações nos níveis de geração das usinas.

O que muda com a nova versão?
O avanço tecnológico está na combinação de três recursos que ampliam as possibilidades de representação das restrições elétricas:

Em conjunto, esses recursos permitem que o DECOMP represente diferentes regras operativas utilizadas pelo ONS, inclusive aquelas cujos limites variam conforme a demanda, a geração e os intercâmbios de energia.
O que muda na prática?
A atualização representa uma mudança importante na forma de estruturar e aplicar as restrições elétricas.

Benefícios para os usuários
A principal contribuição da nova versão está na maior aderência entre a representação das restrições elétricas e as condições reais de operação do SIN.
Ao permitir que os limites sejam definidos a partir de relações incorporadas ao próprio modelo, o DECOMP reduz a necessidade de intervenções manuais e facilita a representação de diferentes políticas operativas.
Outro benefício está na automatização das mudanças de regime operacional. Em vez de exigir que o usuário determine previamente quais limites devem ser considerados em cada situação, as regras de ativação permitem que essa seleção ocorra de acordo com as condições representadas.
O resultado é uma formulação mais flexível e estruturada, capaz de contemplar diferentes condições de demanda, geração e intercâmbio, contribuindo para análises mais aderentes às necessidades do planejamento e da operação do setor elétrico.
Modernização do ambiente computacional
Além das melhorias na representação das restrições elétricas, a nova versão acompanha a atualização tecnológica do ambiente computacional do DECOMP.
A nova configuração contempla a adoção do sistema operacional Ubuntu 24.04 LTS e do compilador Intel oneAPI IFX 2025.2, alinhando o desenvolvimento da ferramenta a tecnologias mais recentes.
Com essas atualizações, o Cepel dá continuidade ao aperfeiçoamento do DECOMP, incorporando funcionalidades que respondem às necessidades operacionais do SIN e ampliam as possibilidades de representação dos desafios enfrentados pelo setor elétrico brasileiro.